Publicado em 21 de março de 2014

Dando sequência a série de artigos técnicos sobre Silvicultura, o assunto da semana é a base para planejar a implantação florestal. O processo é visto por especialistas como essencial para a produção florestal já que interfere diretamente nos lucros futuros e impacta diretamente socioeconomicamente a população que se encontra no entorno do reflorestamento. Na próxima semana, acompanhe o artigo sobre a Manutenção de florestas. Boa leitura!

A implantação de um povoamento florestal é considerada de alta relevância para o sucesso de um plantio. São consideradas como atividades de implantação desde o preparo do solo até o final dos tratos culturais destinados a favorecer o desenvolvimento adequado da floresta. Antes da realização dessas atividades, é necessário efetuar um planejamento confiável por meio de um diagnóstico da área, definição dos objetivos e a escolha dos procedimentos técnicos, que venham a definir como será implantado o povoamento.
O planejamento antecede a logística de implantação e caracteriza-se por definir todas as etapas/passos que compõem o desenrolar do processo. As fases podem ser apresentadas pela sequência de trabalho, iniciando-se pelo diagnóstico, definição dos objetivos e a escolha dos procedimentos técnicos que virão a ser utilizados na área. Apresentar-se-á a seguir alguns dos fatores importantes a serem analisados nessas etapas do planejamento da implantação.
 O diagnóstico da área representa a primeira atividade a ser realizada, onde serão levantadas e analisadas as informações sobre a área, como a existência de mapas planialtimétricos, o histórico da área, aspectos socioeconômicos da região, características de clima, relevo, vegetação e tipos de solos, a existência e a qualidade da malha viária, assim como a documentação do imóvel rural, se está em dia frente à legislação municipal, estadual e federal.
Após o diagnóstico da área, determinam-se os objetivos e a finalidade do plantio, nessa etapa, define-se a espécie a ser utilizada, a partir de uma análise dos aspectos ecológicos e econômicos da região. Em relação aos aspectos ecológicos, pode-se considerar como fatores determinantes o comportamento da espécie relacionada com características edafoclimáticas e mercado consumidor. A forma do tronco e copa, características da madeira, volume médio individual, quantidade e diâmetro dos galhos, a análise de povoamentos da mesma espécie na região e da presença de zoneamentos ecológicos na região, são algumas das características a serem analisadas. Os aspectos econômicos levantados são taxa interna de retorno (TIR), valor presente líquido (VPL), razão custo/benefício e capital disponível, além do conhecimento da demanda de mercado e finalidade da madeira na região. A partir desta análise pode-se determinar as espécies e as potenciais finalidades do plantio.
 Após as duas etapas anteriormente apresentadas, determina-se como serão realizados os procedimentos técnicos, a metodologia e os equipamentos que virão a ser utilizados na rede viária, preparo de solo, espaçamento, plantio, manutenção, poda e desbaste. Tendo como resultado um cronograma das atividades que virão a serem realizadas ao longo do ciclo da floresta e uma gestão mais eficiente. As atividades como manutenção, poda e desbaste, serão apresentadas nas semanas seguintes.
Outro fator importante é a certificação florestal que está estritamente ligada com todas as atividades apresentadas anteriormente, é um processo voluntário no qual a empresa submete seus produtos e produção a testes para atestar se os mesmos seguem determinados critérios/padrões pré-estabelecidos. Ela tem como premissa que a atividade florestal seja ambientalmente adequada, protegendo e mantendo comunidades naturais e florestas de alto valor de conservação; socialmente benéficas, respeitando os direitos dos trabalhadores, comunidades e povos indígenas; e economicamente viável, construindo mercados, agregando maior valor e criando acesso equitativo aos benefícios. Existem dois sistemas mais difundidos no mundo o FSC (Forest Stewardship Council) e o PEFC (Program for the Endorsement of Forest Certification Schemes), cada um deles apresentam características específicas para que seja certificado.
Para alcançar uma produção sustentável de madeira, deve-se haver o equilíbrio dos seguintes fatores:

– Produção de Madeira

– Planos Silviculturais e Manejo

– Sustentabilidade Ambiental

– Responsabilidade Social

– Viabilidade Economica

Texto: Nathan S. Sanches – Equipe Colheita de Madeira