Publicado em 17 de julho de 2014

Segundo a ABRAF (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas), em seu anuário estatístico de 2013/2012, o Brasil possui 6,7 milhões de hectares de florestas plantadas que fornecem mais de 271,5 milhões de metros cúbicos de madeira em tora por ano para os diversos setores consumidores. Estes são números grandiosos que mostram a relevância do setor florestal no país.
A produção de celulose, para ficar apenas em um exemplo, segundo a Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), em seu boletim Conjuntura Bracelpa de 2011, saltou de 7,5 milhões de toneladas em 2000 para mais de 14 milhões em 2011, um acréscimo de 87% em apenas uma década, confirmando os grandes volumes de madeira movimentados diariamente. Hoje o país ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de celulose.   
Os números também são significativos quando o parque de máquinas agrícolas e florestais são levados em consideração. O Brasil tem hoje mais de  1 milhão de unidades. Estes dados dão a dimensão do setor florestal e a sua dependência de pessoal qualificado para operar suas máquinas e também para mantê-las.
MECANIZAÇÃO NAS EMPRESAS FLORESTAIS E OUTROS SETORES
Nas grandes empresas consumidoras de madeira, a colheita florestal é totalmente mecanizada e grande parte das pequenas e médias também aderiram ou estão aderindo a mecanização desta atividade. 
O setor florestal compete com todo o agronegócio pela seleção e retenção dos profissionais que apresentam um perfil adequado para a operação e manutenção das máquinas florestais. As fronteiras entre as atividades dos dois setores estão cada vez menos perceptíveis e a movimentação dos profissionais entre os diversos segmentos é uma realidade. A concorrência é acirrada. Faltam profissionais em quantidade e qualidade para operar os equipamentos. Mais grave ainda é a falta de técnicos de manutenção para cuidar destas máquinas, pois o tempo para a formação de um bom técnico de manutenção é muito maior do que o tempo para a formação de um operador. Um operador executa serviços repetitivos diariamente. Com isso ele melhora sua habilidade em operar equipamentos a cada ciclo que é executado. A curva de aprendizado é bastante favorecida. Isto não ocorre com um técnico mecânico, que se depara com diferentes situações a cada dia, exigindo um conhecimento renovado frequentemente. A curva de aprendizado deste profissional é mais demorada.  
DEMANDA E OFERTA DE PESSOAL QUALIFICADO
As máquinas florestais estão evoluindo rapidamente, aproveitando todo avanço tecnológico que os diversos setores têm proporcionado. O operador dos dias de hoje precisa ser diferente daquele de duas décadas atrás. Novas competências são exigidas: atenção aos avisos e alarmes dos equipamentos, cumprimento dos procedimentos operacionais, atendimento às limitações da máquina, interação com sistemas de comando e controle, além de habilidades para operar comandos eletrônicos e joysticks.
Assim como o operador, o técnico de manutenção precisa estar capacitado para executar com precisão e rapidez o diagnóstico e correção dos problemas apresentados por todos os sistemas presentes nos equipamentos – mecânico, hidráulico, elétrico e eletrônico – além de conhecer os sistemas de gerenciamento dessas funções que estão instalados nos computadores que comandam a máquina. Quanto maior a integração entre estes sistemas, mais difícil será a identificação e solução dos problemas e, necessariamente, mais tempo de estudo será exigido.
Mas, mesmo com toda esta tecnologia, os equipamentos continuam necessitando dos cuidados que sempre foram importantes e ainda serão por muito tempo. Ou seja, os cuidados básicos não devem nunca ser esquecidos: todo equipamento precisa estar devidamente limpo, com a lubrificação executada com qualidade, onde não exista nem falta nem excesso; os principais fluidos – óleos, água – precisam estar conforme a recomendação do fabricante e no período de trabalho indicado para aquela operação; os filtros devem estar em perfeitas condições, sem furos ou amassados; os parafusos, porcas e arruelas devem estar nos seus respectivos lugares, fixados como devem ser.
FORMAÇÃO DE PESSOAL QUALIFICADO
A formação de operadores está muito bem definida no país. Empresas maiores possuem equipes próprias para formação destes profissionais. Outras recorrem aos institutos privados como o Senai ou empresas particulares que fornecem formação e treinamento para operadores. Mas toda a formação é realizada em um único pacote de atividades.
A grande dificuldade encontrada é a formação de técnicos de manutenção. Enquanto um profissional que nunca operou um equipamento florestal pode produzir de 50 a 60% do esperado em 6 a 8 meses de treinamento, o mesmo não ocorre com a formação do técnico de manutenção. Um profissional que nunca tenha trabalhado com manutenção levará pelo menos 5 anos para se classificar como um técnico pleno das modernas máquinas florestais.
Não existem também muitas opções de escolas técnicas que ofereçam cursos completos para os técnicos mecânicos. Algumas ministram cursos básicos (Senai), já os fabricantes de equipamentos fornecem treinamentos específicos para as suas máquinas e ainda outros fornecedores de componentes (mangueiras, motores, elétrica) oferecem treinamentos somente para os seus produtos.  Ou seja, o técnico deve participar de vários treinamentos em diversas instituições diferentes e em várias etapas de sua carreira. A formação é contínua.      
Texto: José Eduardo Paccola – Engenheiro Mecânico, consultor na ZDP Consultoria e instrutor do Curso de Aperfeiçoamento Técnico em Gestão de Manutenção de Máquinas Florestais da Malinovski Florestal